Começou com um café. Meus olhos passeavam pela confeitaria, observadores, acompanhando discretamente cada minúcia que escapava despercebida entre as inúmeras conversas. As palavras flutuavam no ar e eu, bisbilhoteira, tentava unir os trechos entrecortados que chegavam aos meus ouvidos. Uma neta contando ao seu avô histórias de sua viagem à Espanha, duas amigas relatando suas últimas peripécias românticas e um trio de senhoras, em um ti-ti-ti cochichado, certamente fofocando da vida alheia.
Conversas comuns, de um cotidiano simples e bonito. O cheiro doce de açúcar e café no ar, tons de voz e trejeitos daquelas pessoas tão cheios de peculiaridades, a música que tocava ao fundo, a voz de Chico, com açúcar e com afeto. Eu já me perdia em um clima de nostalgia, assistindo o fumaçar do meu café, quando o vi sentado numa mesa de canto, ao lado da janela.
Percebi que seus olhos eram castanhos, cor de chocolate, embora a lente espessa de seus óculos lhes roubassem parte do brilho. Com um livro sobre a mesa, coçava a cabeça com a mão esquerda, claramente intrigado. Não sei quanto tempo fiquei ali, assistindo a sucessão de gestos e expressões que denunciavam tão ingenuamente as emoções daquele moço. O gole de café me desceu frio e me fez perceber que estava atrasada para o trabalho.
Deixei o dinheiro do café sobre o balcão e saí. Não percebi que deixara algo mais naquela confeitaria.




19 monólogos:
antes uma gorjeta do que uma mentira gostosa.
café sempre vai com poesia, né?
"Não sei quanto tempo fiquei ali, assistindo a sucessão de gestos e expressões que denunciavam tão ingenuamente as emoções daquele moço."
Gostei da história.
No meu blog tbm tem algumas histórias desse tipo.
:)
"Eu já me perdia em um clima de nostalgia, assistindo o fumaçar do meu café, quando o vi sentado numa mesa de canto, ao lado da janela"
Vivi isso ontem .. rs
Interessante.
Muita gente passa pela nossa vida.
Não damos conta.
Só quando somos cativados é que percebemos o outro.
Percebemos de nosso modo.
Quando menino aconteceu de eu ver uma menina que passava pela minha cidade.
Acho que a vi por 10 minutos, só isso.
Nunca saiu da minha lembrança.
Não sei o nome, nem de onde era.
senti saudade...
Nunca mais a vi.
Nunca mais a verei.
Um instante marcado para sempre.
Na minha mente. Só na minha mente.
Quantos instantes estão guardados na nossa lembrança? Só na nossa...
Bjos menina linda.
Adorei o seu blog flor,
tooh seguindo!!
bjus ;*
Que história gostosa. Espero que eles se encontrem novamente.
Excelente texto, como sempre!
De agradável leitura.
Beijos Vanessa!
mas talvez não era nada,mas por outro lado podia ser sua vida :)
gosteeei \\o
te linkei no meu blog e tbm te sigo ;
bejoos
Talvez pudesse ter deixado uma possibilidade.. talvez de vida ou de amor, relativo.
amoo vir aqui, smepre leio textos muito bons.
beijos
Todos os dias que venho aqui lhe vejo melhorar, sempre lindo!
Nossa, pensava que você fosse bem diferente! Agora que dá pra ver o seu rosto melhor...
haha
;)
bjs
cara vc escreve mt bem viu *-*
n~~ao perecbi q deixava algo mais naquela confeitaria...belo texto, gostei de andar por aqui, é uma delicia este passeio, adorei, bjos, bjos, bjosss
pultz q genialidade.
transformar um fato aparentemente cotidiano e simples.
numa reflexão e uma histórinha gostosa e factível...
parabens pelo blog.
primeira vez aqui
esepro vir mais vezes
e tenha uma excelente quarta!
abraços!
Sou desconhecido...
Gostei do blog, essencialmente os textos, muito bem escritos.
Acompanharei!
Abraços.
Acho que a gente nunca percebe...
Adorei a confeitaria. Tem cheiro de filme francês.
Deixou ali, um pedaçinho do seu coração, não foi? Recheado de um sentimento bonito, aposto.
Foi lindo, Vanessa.
Beijo
é, muita gente não se apercebe.
"os opostos se distraem, os dispostos se atraem".
Flores.
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